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Transplante de córnea: esperança de voltar a enxergar é real

Médico do Hospital CEMA alerta para sintomas que podem levar a diminuição da visão

Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos revelam que entre janeiro e junho de 2015, 6.585 transplantes de córnea foram realizados no país.  “A córnea é um tecido transparente e avascular, composto principalmente por colágeno, e com grande quantidade de terminações nervosas. É um órgão muito importante para a formação das imagens no sistema ótico e, quando sofre algum tipo de alteração, pode levar a diminuição da visão”, explica o Dr. Wilson Obeid (CRM 74532), do setor de Oftalmologia do Hospital CEMA.
 
 Entre as doenças mais comuns que podem contribuir para a diminuição da acuidade visual estão o ceratocone, a distrofia de Fuchs e ceratopatia bolhosa do pseudofácico. Também de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 70% dos casos de transplante estão relacionados ao ceratocone, doença que atinge 50 a cada 100 mil habitantes. O órgão sofre afinamento e com a evolução leva a um formato de cone, alterando a acuidade visual do paciente.
 
 A doença tem fatores de riscos genéticos e ambientais, podendo haver outros membros em uma mesma família. “O hábito de coçar os olhos também pode favorecer o aparecimento e a progressão do ceratocone”, alerta o médico.
 
 Menos comum é a distrofia de Fuchs, que acomete a camada de células endoteliais da córnea. “Como estas células não se reproduzem durante a vida, a sua perda progressiva também provoca diminuição na acuidade visual e, em casos avançados,  evolui com quadro de dor”, explica Obeid. A ceratopatia bolhosa do pseudofácico também é causada por doença do endotélio e em geral atinge pacientes que já apresentavam distrofia de Fuchs ou alterações pós-operatórias.
“Se o paciente, ao perceber os primeiros sinais de diminuição da visão, buscar orientação médica e iniciar o tratamento adequado com colírios, nos casos de doença do endotélio, e correções óticas como lentes de contato, implante de anéis intracorneanos  para os casos de ceratocone, há grandes chances de se evitar o transplante” orienta o médico. Vale ressaltar ainda o tratamento denominado crosslinking, que inibe a progressão do ceratocone.
 
 Quando a baixa visão limita as atividades profissionais e a autonomia do indivíduo há indicação do transplante. A boa notícia é que a córnea é um tecido considerado com privilégio imunológico – sem a presença de vasos sanguíneos tem imunidade diminuída, o que resulta também em menor índice de rejeição se comparada a outros órgãos, como o rim e o coração.
 
 Novas técnicas cirúrgicas, chamadas de transplantes lamelares, que retiram apenas as camadas doentes, preservando as camadas sadias da córnea do paciente, também já reduzem os riscos de complicações futuras, como glaucoma, catarata, hemorragias, infecções, alto astigmatismo e também minimizam o risco de rejeição, proporcionando uma reabilitação visual mais rápida, diminuição do número de suturas e com conforto pós-operatório maior para o paciente.
 “torto” e sequelas de traumas e acidentes.

Data de Publicação : 25/07/2017