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Zumbido em apenas um ouvido pode ser sinal de tumor

Especialista do Hospital CEMA explica por que o sintoma está associado ao neurinoma acústico que, em casos avançados, pode causar perda auditiva e até paralisia facial

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Imagem retirada do banco de imagens

Um dos transtornos mais comuns de audição é o zumbido. Ele pode ser ocasionado por diversos motivos, como excesso de cera, exposição a ruídos muito altos, medicamentos e até maus hábitos alimentares. No Brasil, cerca de 40 milhões de pessoas apresentam esse sintoma, de acordo com dados da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ). No entanto, por trás do zumbido pode estar uma doença mais séria: um tumor conhecido como neurinoma do acústico. “É importante ficar atento, principalmente, quando o zumbido é unilateral. Nesses casos, é imperativa a realização de uma investigação mais minuciosa”, explica o otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Andy Vicente. 

Apesar de raro – a incidência aproximada é de 1 caso a cada 100 mil habitantes por ano – o neurinoma pode evoluir de modo lento, sem que se procure ajuda médica, o que pode complicar o quadro. Também conhecido por Scwannoma Vestibular (a nomenclatura mais adequada) é um tumor benigno, que atinge o nervo vestibular, responsável pelo equilíbrio. “Ele origina-se no meato acústico interno, um canal que faz parte do osso labiríntico onde passam 4 nervos: dois vestibulares, responsáveis pelo equilíbrio, o coclear (audição) e o facial (motricidade da face)”, detalha o médico. De crescimento lento, causa sintomas como tontura, perda auditiva, zumbido e, em casos mais raros, paralisia facial.

Em 95% dos casos o tumor atinge apenas um ouvido, porém pode ser bilateral. A perda auditiva, que pode ser progressiva ou súbita, e o zumbido característicos ocorrem devido ao comprometimento do nervo coclear e crescimento do tumor. “Em casos avançados, o paciente pode apresentar complicações neurológicas, como hipertensão intracraniana, distúrbios cerebelares, como falta de coordenação e instabilidade; comprometimento dos nervos cranianos adjacentes ou até do tronco cerebral, devido ao efeito compressivo do tumor”, diz o especialista do CEMA.

A causa ainda não é devidamente conhecida, mas o mais aceito, até o momento, é que exista um componente genético importante. Uma falha em um dos genes que predisporia ao aparecimento do tumor. O principal tratamento é cirúrgico, já que apenas o procedimento consegue remover completamente o neurinoma. Mas é possível também fazer tratamento radioterápico em alguns casos, ou mesmo acompanhar a evolução do tumor com exames de imagem, como a ressonância magnética. “Esse exame revolucionou o diagnóstico da doença, com uma fidedignidade de praticamente 100%”, explica o médico.

Essa conduta de observação inicial, principalmente em tumores pequenos e médios, serve para evitar os riscos associados ao tratamento, tanto cirúrgico quanto radioterápico. Existem 40% de chances de tumores com essas dimensões não crescerem e até 15% de que as lesões reduzam de tamanho. Por isso, é essencial que o paciente observe os sintomas e procure um especialista para investigar.

Data de Publicação : 02/08/2019