Metade do mundo pode ter miopia até 2050; excesso de telas é fator de risco
Uso intenso de telas e pouco tempo ao ar livre aceleram a miopia em crianças e adultos;
especialista orienta pausas, exposição à luz natural e sono regular.

Imagem: Freepik
Metade da população mundial pode ser míope até 2050, segundo projeções citadas pela Organização Mundial da Saúde. O cenário acende um alerta para hábitos do dia a dia que favorecem o problema – especialmente o uso prolongado de telas a curtas distâncias e a pouca exposição à luz natural.
Para o oftalmologista Pedro José Monteiro Cardoso, diretor técnico do Hospital CEMA, a tendência não se explica apenas por herança genética. “O que estamos vendo é uma adaptação forçada do olho humano a um mundo confinado. O cérebro e a visão estão sendo ‘treinados’ para uma realidade de curto alcance, ignorando que a luz natural é um regulador biológico essencial”, afirma.
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O que acelera a miopia
Estudos publicados na revista científica Ophthalmology associam o esforço prolongado de visão para perto ao avanço da miopia. Manter smartphones e tablets a menos de 30 cm obriga o músculo ciliar a trabalhar continuamente para focalizar, o que, em crianças e adolescentes, pode sinalizar ao globo ocular que ele “cresça” para melhorar o foco de perto – o chamado alongamento ocular, base da miopia.
Outro fator-chave é o pouco tempo ao ar livre. Pesquisas da Australian National University indicam que a luz solar estimula a liberação de dopamina na retina, substância que atua regulando o crescimento do olho. Crianças que passam menos de duas horas diárias em ambientes externos apresentam risco maior de desenvolver miopia, independentemente do tempo dedicado a leitura ou telas.
O avanço da miopia preocupa não apenas pela necessidade de óculos. Em graus altos, a condição aumenta o risco de complicações oculares na vida adulta, como degenerações de retina, além de impacto no desempenho escolar e no bem-estar.
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Como reduzir o avanço no dia a dia
Especialistas recomendam ajustes simples de rotina para proteger a visão, sem substituir a avaliação médica individual. Entre as medidas sugeridas por oftalmologistas estão:
• Regra 20-20-20: a cada 20 minutos de tela, olhar para algo a cerca de 6 metros por 20 segundos.
• Atividades ao ar livre: priorizar ao menos duas horas por dia, quando possível, com proteção solar adequada.
• Higiene do sono: reduzir o uso de telas à noite e manter horários regulares, já que a luz azul pode atrapalhar o descanso e o foco visual no dia seguinte.
Também vale manter distância mínima de 30–40 cm de livros e dispositivos, preferir ambientes bem iluminados para leitura e estudar, e incentivar pausas frequentes em tarefas de perto.
“Precisamos entender que o olho humano não foi projetado para viver em um mundo de 30 centímetros”, resume Cardoso.
A recomendação geral é realizar consultas oftalmológicas periódicas, sobretudo na infância e adolescência, quando o olho ainda está em desenvolvimento e intervenções precoces têm maior impacto.